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Blog de ALPENO ROCHA


BARCO FURADO OU SENTENÇA DE MORTE? VOCÊ DECIDE!

Alpeno Rocha

Em julho de 1959, quando nasci, as forças rebeldes do ditador Fidel Castro assumiram o controle de toda a ilha de Cuba. Após umas tantas atrocidades praticadas ao longo da história, não sabemos como, Fidel Castro continua no poder até hoje.

Com uma infinidade de outros exemplos, o mundo sinaliza que vale a pena ser corrupto, intransigente, malfeitor. Enquanto isso, as gerações vão se corrompendo e se tornando corruptoras, na contramão da evolução científica, da tecnológica, dentre outras. Uma doença que pode atingir tanto os poderosos quanto aquele que possui uma simples barraca no Centro Comercial.

Como resultado, vamos sendo engolidos por esse mar revolto, tal como o Titanic. E aí pode não nos dizer nada o governo ter perdido a guerra contra os jogos de azar. Pode não nos assustar mais o surgimento de outros valdomiros bem à nossa frente. Essa é a nossa bandeira branca com a inscrição "Fomos vencidos!", mas é também a síndrome da cumplicidade.

Percebe-se que a ignomínia, de fato, vai se tornando num objeto de desejo. É como se existisse uma ordem universal contrária ao que é correto, ao que é sensato. Ou até uma idéia massificada de que é vergonhoso falar a verdade, ser íntegro, honesto. Ou seja, é tudo como no mundo de Sodoma e Gomorra, cuja história remonta a antiguidade!

Vejam que, na insegurança, muitos buscam socorro em futilidades. Uma delas é o culto ao deus Maradona, em Rosário, Argentina. A igreja maradoniana, como é chamada, já conta com mais de 25 mil fiéis, inclusive brasileiros. Em êxtase, desiludidos com tanta politicagem, os argentinos acabaram se refugiando em outro barco furado. Não sei dizer porque há brasileiros nesse mesmo barco.

Veremos casos idênticos, por certo, nesse ano eleitoral. Haverá um número considerável de eleitores que não vai se preocupar com o perfil do seu candidato. Pouco vai importar a competência administrativa, a lisura, o caráter, a fidelidade à família, coisas desse tipo. O que será considerado é o seguinte: "o que vou ganhar com o meu voto?".

Surgirão também, por outro lado, os politiqueiros que saciarão as expectativas desses eleitores, oferecendo-lhes um barco argentino. Cimento, areia, blocos, muletas, cadeiras de rodas, cestas básicas, empregos, até dinheiro. É o vale tudo! Uns vão estar dispostos a oferecer o que não tem em troca de votos. Outros, por sua vez, vão prometer um voto que nunca será dado.

Enfim, a paixão pelo ilícito continuará sendo a bola da vez. É por isso que os brasileiros vão continuar amargando um pedaço da Argentina e outro de Cuba. Uns sendo levados a se refugiar num barco furado. Outros, tendo de aceitar a própria sentença de morte. Mas aqui está uma rota de fuga: nade contra a maré, como alguns dos sobreviventes do Titanic.

(Texto publicado no Jornal Agora, de 12/05/2004).



Escrito por Alpeno Rocha às 19h02
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ME DEIXEM VOTAR, POR FAVOR!

 


Alpeno Rocha

 

Sou evangélico. Pelo amor de Deus, me deixem votar! Esse apelo é para que respeitem a minha escolha. Quero simplesmente exercer a minha cidadania. Nada mais que isso!

Não vivo preso numa redoma. Não estou atrelado a ideologias enlatadas. Sou livre em Jesus Cristo. Pela misericórdia d´Ele, continuo fazendo uso das faculdades mentais. Ainda consigo ter discernimento.

Por favor, me deixem votar segundo a minha consciência. Não sou obrigado a acreditar em boatos e fofocas veiculadas na internet. Não tenho que seguir os líderes que insurgem contra esse ou aquele candidato, ainda que sejam religiosos. Não quero fazer parte do grupo que, imaturamente, continua colocando suas esperanças no homem.

Falando francamente, se me perguntassem quais as minhas expectativas quanto à política brasileira, eu responderia sem titubear: Nenhuma! Sabem por quê? A nossa política está doente.

Não se enganem achando que ela vai melhorar, mesmo com a Lei da Ficha Limpa. Não é preciso ser vidente para prever que, no próximo governo, os escândalos ressurgirão com outra roupagem. Ou com a mesma! Não é o Serra ou a Dilma que terão o remédio para essa epidemia. Os cristãos que o digam!

Sendo assim, não me parece uma idéia sensata associar “iniquidade” a determinado candidato, principalmente se a candidatura se enquadra nos princípios da legalidade. Demonizar o adversário político, no caso, pode ser uma excelente estratégia para declarar a “santidade” do opositor. E isso é um absurdo sob a ótica do cristianismo.

É por isso que estou avaliando o melhor programa de governo. Não aquele que me trará benefícios pessoais. Mas o que vai impulsionar o nosso país nas trilhas do desenvolvimento.

Particularmente, não quero retomar a era das privatizações das estatais.
Não quero que o Brasil fique novamente refém do FMI.
Não quero voltar a cair nas crateras de nossas estradas públicas.
Não quero reviver a frustração de quase uma década sem aumento salarial.
Não quero que o desemprego seja o cartão de visita de um povo honrado e trabalhador.
Na verdade, não quero que a estabilidade da economia custe o preço da dignidade dos meus compatriotas.

Sei que o presente é uma porta cuja chave se encontra em minhas mãos. Governo a La FHC nunca mais!

Vamos então ao segundo turno. E ME DEIXEM VOTAR, POR FAVOR!

 



Escrito por Alpeno Rocha às 10h14
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BUSCANDO A SAÚDE FINANCEIRA

Alpeno Rocha

Pouco apetite. Febre. Dores musculares. Náusea. Vômito. Diarréia. É gripe suína? Não! É final de mês. O salário foi insuficiente para cobrir as despesas. As contas fecharam no vermelho. Nesse período, alguns entram em pânico. E adoecem.

O problema acaba sendo visto através de um telescópio. Julgando-se impotente, o indivíduo levanta as mãos e se rende ao suposto inimigo. Só que esse comportamento não o auxilia no equilíbrio de suas finanças. E tudo recomeça no próximo mês.

Para se evitar situações tão desagradáveis, compartilho neste espaço algumas idéias que ajudarão a entender e a administrar melhor as finanças pessoais, de forma prática. Vamos lá, então!

Considero que o equilíbrio financeiro ocorre a partir de três estágios cíclicos, ligados à consciência, ao planejamento e às atitudes, que funcionam da seguinte maneira:

Formando uma boa Consciência sobre Finanças (1º estágio). Ao longo de nossa existência, fomos bombardeados com informações das mais diversas sobre como lidar com o dinheiro. Elas nos ajudaram a formatar uma visão sobre finanças. No entanto, por si só, não garantem uma gestão eficiente nessa área. Por isso, defendo a tese de que fazer bom uso do dinheiro exige mais do que informações, mesmo sabendo que elas são importantes. Exige sabedoria. E essa sabedoria é resultante de uma consciência dotada de valores que corroboram a tomada de decisões. Nesse raciocínio, é possível encontrar alguém que seja expert em administração financeira, por exemplo, mas que tenha sérias dificuldades em gerir as suas próprias finanças. No meu entender, essa pessoa precisaria formar uma boa consciência sobre o assunto, refletindo inclusive as próprias informações recebidas ou até mesmo, dependendo do caso, fazendo um tratamento psicológico, além de passar pelos demais estágios.

Planejando as Despesas (2° estágio). Apenas uma boa consciência sobre finanças não é o suficiente para se obter o êxito esperado. É preciso dar um segundo passo: planejar os gastos. E o meio mais eficaz de se fazer isso é através de um orçamento, no qual as despesas fixas e variáveis são todas planejadas, tendo por base a projeção dos ganhos mensais. Procedendo assim, fica mais fácil identificar, inclusive, por que as contas fecharam no vermelho. E adotar as ações corretivas e complementares agilmente, associadas à proposta do estágio seguinte.

Desenvolvendo Atitudes focadas no Equilíbrio Financeiro (3° estágio). Pode-se observar que os dois primeiros estágios, apesar de serem pertinentes, não concorrem para gerar resultados práticos. Alguém pode tratar a questão de forma consciente ou planejar muito bem os seus gastos, mas não agir em sintonia com os objetivos de manter as suas finanças sob controle. Nesse último estágio, portanto, é necessário empreender esforços, se envolvendo com inteligência na busca do equilíbrio financeiro. Para tanto, deve-se adotar uma postura contextualizada, a exemplo das atitudes descritas a seguir: manter rigoroso controle das despesas; ter cuidado ao emprestar dinheiro; analisar bem as solicitações de fiança; desenvolver habilidades para fazer pequenos consertos em casa; evitar os juros altos; ser disciplinado nas compras; aproveitar as liquidações, dentre outras. Caso haja relutância nessa atividade, retoma-se o processo a partir do primeiro estágio. E o ciclo recomeça.

Posicionando-se em conformidade com esses três estágios, evita-se o elemento surpresa na hora de fechar as contas. Assim, tanto o corpo físico-psicológico quanto as finanças pessoais serão resguardadas. E a saúde melhora. Ah se melhora!

(Texto publicado no Jornal Agora, de 23/10/2009).



Escrito por Alpeno Rocha às 21h29
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PLANEJE O FUTURO, GERINDO A PROFISSÃO

Alpeno Rocha

Que o mercado de trabalho está cada vez mais exigente, ninguém tem dúvidas. Aquele diploma de segundo grau, que há bem pouco tempo era a porta de entrada para o sucesso de muita gente, acabou virando peça de museu num piscar de olhos.

O mesmo pode acontecer com o da graduação, em breve. Tanto que as melhores oportunidades hoje são para aqueles que possuem especializações, cursos de mestrado, doutorado e até pós-doutorado... E, de preferência, que falem fluentemente o inglês e o espanhol, no mínimo.

O capitalismo colocou o mundo no automático, mesmo! É o rolo compressor da globalização. Um contexto onde os profissionais precisam estar preparados para compreender e administrar os diversos cenários, com dose dupla de competência. E isso inclui a gestão da própria carreira.

O caminho, portanto, é investir nos estudos. E continuar se profissionalizando, sempre.

Quanto aos obstáculos, quem disse que eles não existem? Fazemos parte de uma aldeia global, vivendo a realidade de um país emergente. Injustamente, recaem sobre nós as mesmas exigências feitas às grandes potencias mundiais.

Além disso, os problemas sociais existentes formam barreiras fortíssimas para muitos dos que buscam um futuro melhor. Nessa vertente, o acesso ao ensino superior, tanto público quanto privado, acaba sendo um lugar não-comum para todos. Desumano? Pode ser!

O que fazer, então? Lamentar? Procurar um culpado? Parar no tempo, abdicando do próprio crescimento pessoal e profissional?

O individuo pode até escolher uma dessas opções. Ou todas ao mesmo tempo. Mas deve entender que isso não vai alterar o curso do rolo compressor. Nem vai impedir que o diploma de graduação vire também peça de museu. Ou que a profissão sofra alterações e até se extinga ao longo dos anos.

Datilógrafo, telegrafista, mimeógrafo, foguista foram profissões importantes num passado bem próximo. Hoje não existem mais. Quem se alienou às tendências de então, sentiu na pele a dor de um amanhã perdido no tempo.

A própria história, portanto, nos ajuda a refletir o presente e a planejar o futuro. Rever e questionar as atividades exercidas hoje, reciclar os conhecimentos, buscar a profissionalização – sempre em conexão com as mudanças -  são links que devem ser acessados cotidianamente.

São também atitudes que ajudam a mitigar os riscos da carreira, dando ao profissional maior estabilidade e segurança. E preparando-o para enfrentar o mercado de trabalho com igualdade de condições, em qualquer época. Sucesso para todos!

(Texto publicado no Jornal Agora, de 09/09/2009).



Escrito por Alpeno Rocha às 19h42
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MONTE UM NEGÓCIO, NÃO CRIE UM PROBLEMA

 

Alpeno Rocha

 

Para quem pretende montar um negócio, tenha bastante cautela. Não admita ilusões, seja realista. Evite o empirismo, faça pesquisas, analise a concorrência. Pondere sua experiência no ramo, peça conselhos aos mais experientes. Você sabe como é difícil ganhar dinheiro honesto. Mas como é fácil vê-lo escorrer pelos ralos!

Preserve o emprego que você tem, enquanto faz o test drive. Considere que muitos dos que pediram demissão apressadamente para tocar um empreendimento estão hoje arrependidos. Alguns desses foram motivados a pensar que a vida de patrão era moleza. Não pense assim! O caminho do sucesso sempre foi e será encharcado de muito suor.

Decidiu, mesmo? Continue sendo cauteloso! Não faça como alguns que, precipitadamente, investem pesado na criação da logomarca, no design arrojado da fachada, no visual interno da loja, coisas do tipo. Depois descobrem (pasme!) que pouco ou nada restou para adquirir o estoque inicial, muito menos para manter o negócio em movimento.

Lembre que, sem capital de giro próprio, a empresa tende a perder o fôlego paulatinamente. E morrer antes mesmo de completar o primeiro ano de vida. No desespero, muitos recorrem ao capital de giro de terceiros, às vezes se submetendo a taxas de juros altíssimas, o que é a mesma coisa que tomar veneno a conta-gotas. É suicídio.

Monte seu negócio, mas não o transforme num problema. Não tome isso como desestímulo. Minha intenção é incentivá-lo a se preparar estrategicamente, com os pés no chão. Um bom exercício é fazer as perguntas certas, encontrar respostas sábias e efetuar muitos cálculos. Para mim, esses requisitos norteiam todo e qualquer planejamento.

E aí? Com todo esse balde de água fria, ainda continua entusiasmado nos seus propósitos? Se positivo, tenho que admirar sua coragem e determinação. Muito mais, tenho de reconhecer que você realmente é um empreendedor. Em outras palavras, você nasceu para vencer. 

Os empreendedores não se intimidam ante as dificuldades. Ao contrário, de forma inteligente, transformam-nas em oportunidades. Sendo assim, corra atrás dos seus sonhos, abra o seu negócio, enfrente com garra os desafios e seja vitorioso! Quanto aos demais, continuem pensando se vocês querem mesmo abrir um negócio.

(Texto publicado no Jornal Agora, de 13/08/2009).



Escrito por Alpeno Rocha às 23h18
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VIAGEM ETERNA: UM DEPOIMENTO SOBRE O VÔO 3054

 

 

Alpeno Rocha

 

 

 

 

 

Apesar de todos os avanços da ciência para aumentar a longevidade, a morte continua sendo algo inevitável. E ela não faz distinção de pessoas. Sem pestanejar, interrompe o fôlego tanto de um indigente quanto do homem mais importante do mundo.

 

Ao mesmo tempo em que tal inimigo põe limites à nossa vida física, forçando-nos a debruçar sobre nossa fragilidade, ele se torna num forte sinal que deveria reacender em cada um de nós uma indagação altamente relevante: “Estou realmente preparado para me encontrar com Deus?”.

 

“Não quero pensar nisso agora!”, diria alguém. Atitude de uma sociedade de consumo que valoriza o capital, em detrimento das coisas espirituais. É como se o homem fosse dono do tempo, com poder para adiar a cessação do seu batimento cardíaco, se eternizando na Terra. Puro engano!

 

Jesus ilustrou essa inversão de valores com o caso de um homem que, em sua presunção, achou que conseguira tudo de que precisava, guardando para si, além de seus bens, uma fantástica produção de frutos. Foi quando Deus lhe disse: “Louco! Esta noite você vai morrer. Quem vai ficar com tudo o que você guardou?”.

 

Tal vulnerabilidade nos leva, a cada minuto, a embarcar no vôo 3054. No aeroporto, comemos alguma coisa, olhamos os transeuntes, conversamos com algumas pessoas. Interiormente, o desejo de rever os amigos, de reencontrar a família, de voltar ao trabalho, de realizar bons negócios...

 

De repente, a voz de um rapaz, bilíngüe, anuncia a chegada do Airbus A320. No portão de embarque, um grupo enorme se levanta, segurando pastas, bolsas, sacolas e brinquedos. Dirigimo-nos à aeronave, pisamos num belo tapete vermelho e fomos recepcionados com apertos de mão e sorrisos.

 

Exatamente, às 17:16h, inicia-se a decolagem. O destino é São Paulo, precisamente o aeroporto de Congonhas. Alguns dormem ou permanecem em profundo silêncio. Outros, papeiam, lêem alguma coisa ou checam suas mensagens eletrônicas em computadores portáteis.

 

A viagem foi rápida, como sempre. E a nave já estava entrando em procedimento de pouso. Ouvimos até o toque dos pneus no asfalto. Enfim, chegamos. Que sensação de tranqüilidade! Em poucos instantes, voltaríamos ao corre-corre da vida.

 

Espere um pouco... Alguma coisa deu errado!  O avião continua acelerado, não consegue parar.  Estamos a 500 metros do término da pista. Não tem mais pista. “Desacelera, desacelera!”. O avião derrapou. Que barulho é esse? “Vira, vira, vira!”. Em desespero, alguém gritou: “Oh, meu Deus, oh, meu Deus!”.

 

Nada mais passou pela nossa mente. Um grande choque, uma grande explosão, uma escuridão tremenda. Um fogo de 1000 graus centígrados consumiu nossos corpos num instante. Entramos num dos sonos mais profundos de nossa história. Passamos para a eternidade.

 

Para nós, esta é apenas uma simulação. Mas a recíproca não é verdadeira para mais de 180 pessoas. É-nos dada a oportunidade de repensar a nossa relação com o Pai e de aceitar a salvação do Filho, o que deve ser feito ainda hoje. Não se deve procrastinar uma decisão tão séria, tão importante.

 

Afinal, andar sem Deus é assumir uma posição de risco. Relegar a salvação de Cristo é cuspir-Lhe no rosto, esbofeteá-Lo e pregá-Lo novamente numa cruz. Mesmo assim, se tem sido uma aventura viajar de avião no Brasil, Jesus Cristo continua sendo o único meio através do qual, de forma segura, podemos ser transportados para o céu.

 

(Texto publicado no Jornal Clarim, da IBT, em agosto/2007).



Escrito por Alpeno Rocha às 17h07
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ALCANÇANDO OS FILHOS NA MODERNIDADE

Alpeno Rocha 

 

 

 

Sempre achei interessante o mundo tecnológico. Isso me fez adquirir, há quase 20 anos atrás, meu primeiro computador. Ele era pequeno, não tinha Hard Disk e a tela do monitor era  preto e branco. Os poucos aplicativos existentes eram armazenados em grandes disquetes de 5 ¼. Foi quando aprendi a usar o MS-DOS, o Sistema Operacional da época, com direito a todos aqueles comandos em inglês. Se você fez parte daquele ciberespaço, se lembra muito bem do deltree, copy, dir, cls, call, entre outros.

 

Mas dormi um pouco no tempo e, quando acordei, meu castelo desmoronara. O Windows 95 já dominava a preferência de todos. A conversa era em torno do Word, Excel, PrintArt e outras tantas novidades. Os monitores eram grandes e de telas coloridas. Os disquetes eram menores e, pasmem, os computadores tinham winchester. E o que fazer àquela altura? Seria covardia recuar ante a modernidade. De cara, troquei o computador por um outro que tinha até multimídia. De verdade, eu não sabia nem onde ficava o power. Em resumo, eu tinha de reaprender tudo. Tudo mesmo!

 

Tinha de ler manuais, balbuciar cliques no mouse, aprender fazendo. Mas deixei tudo para depois e fui ao trabalho. De volta, uma grande surpresa. Társis, 4 anos, estava sentado na maior pose de frente para o novo computador, ouvindo um CD. Que inteligência! Que perspicácia! Pensei. Ali, já iniciara a explosão da internet, aquela que seria a principal das novas tecnologias da informação e comunicação do mundo moderno. Os correios eletrônicos, os chats e a própria web passaram a influenciar de crianças a idosos.

 

Como andar com meus filhos naquela nova jornada? Perguntei-me. Afinal, eu queria continuar sendo o herói deles. Quem sabe um mestre, um referencial! E ficar preso ao passado significaria me distanciar de novos rumos e tendências. Por outro lado, não me prepararia contra as armadilhas da modernidade que, por vezes, tragam nossos adolescentes, tornando-os apenas “amigos virtuais”.

 

Assim, antes que a internet chegasse à minha casa, aprendi alguns truques do Hyper Text Markup Language – uma das linguagens utilizadas na rede -, o que me ajudou bastante, em contrapartida, a entender como se desenvolvia e se hospedava uma homepage. Descobri que se tratava de algo que podia ser utilizado tanto para o bem quanto para o mal. E este é pleno também em acessibilidade, inclusive para as crianças e adolescentes. E o que fazer? Deveria permitir que eles a utilizassem 24 horas por dia ou que acessassem qualquer conteúdo? Claro que não!

 

Como pai responsável, tenho de estabelecer regras e impor limites para os meus filhos. Esta é no mínimo uma atitude de amor para com eles. Sei que alguns psicólogos e pedagogos não me autorizariam expressar gratidão aos meus pais por terem me dito não muitas vezes. Um “não” que, para mim, se reverteu em profundas reflexões e experiências. Hoje entendo que não devo desistir, nunca, dos meus filhos. Tenho de saber o que eles fazem, com quem andam, do que gostam, como se relacionam. Se me lembro bem de minha adolescência, nunca fui maduro e independente o suficiente para não precisar do cuidado de meus pais naquela fase.

 

Ah! Você não entende nada de tecnologia, de cibernética, de informática?Tudo bem, isso não é tão relevante! Só me responda o seguinte: “Você tem acompanhado o seu filho de perto ou está a muitos quilômetros de distância dele?”. Se escolheu a primeira opção, parabéns! Caso contrário, eu aconselho a jogar fora aquele computador ultrapassado, fazer um upgrade dos seus mapas mentais e dar um click duplo no mundo do seu filho. Enquanto há tempo!

 

(Texto publicado no Jornal Clarim, da IBT, em junho/2007. Adaptado por questões de espaço no Blog).



Escrito por Alpeno Rocha às 14h37
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UM DEUS VIVO OU UM DEUS QUALQUER

Alpeno Rocha

Originalmente, o homem foi criado com uma necessidade de adorar, de reverenciar a Deus. Na historia da humanidade, essa necessidade, de uma forma ou de outra, tem sido claramente manifestada. Até os nossos nativos, antes mesmo do descobrimento do Brasil, já expressavam esse sentimento religioso prestando adoração aos astros.

Vez ou outra aparece na TV alguém se apresentando como adorador de algum deus. A própria Bíblia traz um relato de um momento em que o povo adorou um bezerro de ouro. Ao meu ver, não deixam de ser manifestações, ainda que distorcidas, da necessidade que cada um tem de adorar o Deus Verdadeiro.

Embora o homem tenha a tendência de focar o espiritual equivocadamente, há exemplos dignos de observação. Abraão, um personagem bíblico que viveu há mais de 3.500 anos, por todo lugar que passava construía um altar para adorar a Deus – “... e ali edificou um altar ao Senhor” (Gn 13.18). O próprio Rei Davi, que reinou em Israel por volta dos anos 1000 A.C., disse enfaticamente: “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Salmo 42.2a).

Temos aqui uma expressão que denota bem um fenômeno que ocorre em nós – “sede de Deus”. E o Rei Davi tinha um exército poderosíssimo sob o seu comando, uma fortuna incalculável, fama e prestígio, mas não se privou em revelar um desejo íntimo de sua alma, fazendo questão de registrar isso em um dos seus Salmos! Atitude que desmistifica uma idéia de que há incompatibilidade entre ser importante e ser de Deus.

Vimos ainda que o Rei Davi não só afirmou sua necessidade pessoal de  adorar  a Deus como também anunciou  categoricamente  qual  era o Deus que ele queria adorar: o Deus Vivo. Ele não foi confuso na exposição conceitual daquilo que cria, porque se tratava de algo que pulsava dentro dele, um fervor inconfundível.

Veja também, caro leitor, que ele não incorreu no erro de trocar “o Deus” por “um deus qualquer”. “O Deus” é definido,  pessoal,  divino,  eterno. “Um  deus  qualquer”  é indefinido, impessoal, imaginário, podendo ser criado psicológica ou filosoficamente: o deus sol, o deus lua, o deus bezerro de ouro e assim por diante. O Rei Davi, de forma muito inteligente, quis adorar o Deus Criador - Aquele  que criou o sol,  a lua, o  ouro, eu e você. Adorar o Deus Vivo é um ato volitivo, uma decisão trabalhada também pelo intelecto.

Aos meus sete anos de idade, na zona rural, testemunhei algo que marcou muito a minha vida. A minha mãe, através de um programa de rádio, ouviu a Palavra de Deus e aceitou Jesus Cristo em seu coração. A partir de então, todos os dias à tarde, ela reunia os filhos à beira do rádio para ouvir aquela programação evangélica. Ali, ela cantava hinos de louvores  a  Deus  e  orava. Aos  meus  doze anos, não me perguntem com que condições,  eu  estava  sendo  encaminhado  para   estudar  numa  cidade   grande,  com  direito a   algumas  regalias  inimagináveis. Não  quero, com  essa história,  ressaltar  os efeitos, mas a causa. E a causa foi o relacionamento desenvolvido com O DEUS VIVO. Ele é fiel!

Estar com Deus, portanto, é se relacionar com Ele. O apóstolo Paulo dizia: “Eu sei em quem tenho crido”. Como dizer o mesmo acerca de uma pessoa que você não conhece? O profeta Oséias, numa linguagem atualíssima, nos estimula a não só conhecer, mas a prosseguir em conhecer a Deus. Ou seja, não é uma adoração que se restrinja apenas a alguns momentos especiais, mas a adoção de um estilo de vida, renovado, dinâmico.

Consigo compreender melhor quem é Deus quando descubro quem sou eu. Como fui gerado? Com que propósito vivo? Para onde vou? Nessa reflexão introspectiva, me conscientizo do quanto sou pecador e que, por isso, preciso irremediavelmente do perdão de Jesus, o único que se revestiu de glória, majestade, honra e poder para operar esse milagre em nossas vidas. O bom é que, nesse processo de convencimento, contamos com ajuda contínua do próprio Deus, através do Espírito Santo (Jo 16.8).

Não sejamos como um autor que disse: “Não sei de onde vim, não sei para onde vou” - palavras extraídas do livro Universo em Desenvolvimento, v.13, p.224. À página seguinte, 225, o mesmo autor sentencia: “O confuso não sabe para onde vai”. Quando aplicamos o silogismo, verificamos que, se quem não sabe para onde vai é confuso e o autor confessa que não sabe para onde vai, logo, o autor é confuso.

Infelizmente, como esse autor, há muitas pessoas confusas que acabam arrastando outras para bem distante de Deus. Esse é um dos assuntos que Jesus tratou com autoridade: “Pode porventura um cego guiar outro cego? Não cairão ambos no barranco?”. Assim, acho prudente abrir os meus olhos para enxergar o que é, de fato, proveitoso para minha vida e buscar Aquele que tem o cântaro de água viva para saciar a sede de minha alma.

Sem dúvidas, é mister que prossigamos em conhecer a Deus, procurando diariamente se relacionar com Ele. Queiramos ou não, somos resultado de nossas decisões. Quando nos permitimos entrar em comunhão com o Deus Vivo, descobrimos um novo sentido para nossa vida, pois Ele nos vivifica completamente. Experimenta!

(Texto publicado na Revista Vitória, em Itabuna).



Escrito por Alpeno Rocha às 21h44
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DESCARTANDO AS COISAS VELHAS NO ANO NOVO

"Se não você, então quem? Se não agora, então quando?" (Gary Herbert).

Alpeno Rocha

Há pessoas  que  gostam  de  guardar  coisas  velhas e inúteis.  São  objetos  dos  mais  variados  que  formam  uma  montanha  no  canto  da  varanda, no quintal ou no conhecido quartinho da bagunça. De parafuso enferrujado a jante de bicicleta amassada, tudo é válido.

Os que adotam essa prática não admitem se livrar do pneu que ficou careca ou até mesmo daqueles catálogos  de  produtos que chegam às pilhas em nossas casas todos os dias. E ai daquele que tirar alguma dessas peças raras do seu devido lugar! É o indivíduo que guarda o inútil e ainda tem ataques de organizador de feira de cacarecos.

Há casos, entretanto, que excedem todos os limites. Situações que denunciam uma convivência harmoniosa com a desordem. Imaginariamente, são casas viradas de cabeça para baixo, onde facilmente se encontram meias jogadas na sala de estar e as domingueiras dependuradas no cabide do pano-de-prato.

É um ambiente onde as contas da escola do filho se perdem com facilidade, onde a mentira se torna um instrumento de proteção particular, onde a preguiça cerceia toda capacidade produtiva e onde, muitas vezes, uma religiosidade hipócrita acoberta as mazelas de um caráter maculado e doentio. São casos que o Mutirão da Limpeza não consegue resolver!

Tudo isso é típico de uma casa que está seriamente comprometida, cujos princípios e valores são esquecidos nos empoeirados livros da estante. É como uma casa-bomba. Na minha infância, quando alguém estava fadado ao insucesso, lembro que minha mãe dizia convicta: “Um dia a casa cai!”. E caia porque colhemos no presente as conseqüências das decisões tomadas no passado.

Nesse sentido, é possível compreender o apelo veemente que o profeta fez a Ezequias: “Põe em ordem a tua casa” (Iz 38.1b). O rei, na verdade, estava caminhando para um abismo e não tinha consciência disso. A insensibilidade formara um lixo no seu discernimento. Quem sabe a sujeira do orgulho e da vaidade havia tapado os seus olhos para se perceber também um doente espiritual!

Seja qual for o diagnóstico, nada acontece se não tomarmos decisões corajosas e tempestivas. Gary Herbert disse: “Se não você, então quem? Se não agora, então quando?”. Nesse raciocínio, Ezequias entrou em tormentas e “chorou muitíssimo” (Iz 38.3b). Esse foi o seu começo. O certo é que ele atacou o problema de frente. E Deus o livrou da morte.

Neste Ano Novo, lancemos longe as coisas velhas e inúteis. Afinal, bagunça e sujeira são ornamentos de uma vida em ruínas. E este é um lugar que não combina com aqueles que buscam o triunfo de uma sã consciência. É a cidade obscura onde o Apóstolo Paulo deixou todas as quinquilharias do velho homem, afirmando que todas as coisas velhas já haviam passado e tudo se fizera novo (II Co 5:17).

É importante lembrar que uma das grandes batalhas que são travadas diariamente ocorre em nosso íntimo. Nessa área, prioritariamente, as perspectivas para 2007 serão revolucionárias, contanto que estejamos limpos e renovados em Cristo, agora e sempre.

Sendo assim, Feliz Ano Novo!

(Texto publicado no Jornal CLARIM, da IBT, em janeiro/2007). 



Escrito por Alpeno Rocha às 21h20
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AS DUAS FACES DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

Alpeno Rocha

No Brasil, a educação tem duas faces. Uma se apresenta bela, ornada com detalhes reais. Outra se esconde atrás das rugas, queixosa, sem brilho. A gente não quer enxergar a segunda, deixando-se tomar por um sono hipnótico provocado pela primeira.

O MEC, sem modéstia, ostenta sonhos extravagantes. Quer o Brasil alfabetizado até 2006. O país ocupando posições de destaque no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. Garantia de matrícula para toda criança a partir dos quatro anos. Recuperar as instalações físicas de todas as escolas, além de incluí-las digitalmente com equipamentos de ultima geração.

A discussão sobre a reforma universitária, na mídia, ganha espaços importantes. O assunto será debatido inclusive por especialistas de renome mundial. As universidades particulares que se cuidem, pois terão de dar sua parcela de contribuição no processo de democratização do acesso aos estudantes. Tudo isso é legítimo, mas é apenas uma das faces!

Daqui a algum tempo, divulgam os fantásticos números dignos de destaque no Livro dos Recordes. Da base, entretanto, a gente vai se acostumando com a criminalidade nas escolas. Do topo, vão dando um jeitinho brasileiro no problema da repetência. Segundo fontes da UNESCO, no biênio 2000-2001, o Brasil apresentou, no ensino fundamental, a 100a. maior taxa entre 107 países. Até o Moçambique ocupou melhor posição!

A outra face realmente é muita feia. O índice elevado de desemprego e dos baixos salários reflete diretamente a educação. Cresce, com isso, a inadimplência nas escolas. Não são poucas as que trabalham com índice superior a 30%. Nossas leis protegem os devedores e o custo disso é repassado para os que pagam regularmente.

E aí a educação vive um outro dilema. De um lado, os pais reclamam as altas mensalidades escolares. Do outro, as escolas reclamam da falta de recursos para reinvestimentos. Os estilhaços desse dualismo acabam atingindo em cheio a qualidade do ensino. Nada diferente das muitas instituições de ensino superior, públicas e privadas, que também oferecem um ensino de péssima qualidade.

O resultado de tudo isso é a formação de profissionais desqualificados, num momento em que o mercado de trabalho exige o contrário. É como se todos vivêssemos, na prática, a “ciranda, cirandinha” – cantiga de roda que nos inspirava, na infância, a andar de um lado para o outro, dando voltas. No ritmo, é mais compreensível vermos um advogado, por exemplo, concorrendo a uma vaga de gari.

A problemática tem sido discutida, salvo raríssimas exceções, nos gabinetes governamentais. E a face feia da educação continua coberta por uma mascara. No seu livro “Pedagogia da Autonomia”, Paulo Freire diz que “ensinar exige saber escutar”. Para fazer uma plástica nessa face, o Governo terá de escutar, principalmente, as escolas, professores, pais e alunos. E eles não estão lá fora! 

Importar idéias de educação sem reavaliar a nossa estrutura educacional é levar a face bonita a se tornar exótica. E a face feia que se dane!

(Texto publicado no Jornal Agora, de 27/02/2004).



Escrito por Alpeno Rocha às 20h56
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EM PLENO SÉCULO XXI, A SÍNDROME DE ACÃ CONTINUA VIVA COMO NUNCA

Alpeno Rocha

 

“[...] porque Acã, filho de Carmi [...], da tribo de Judá, tomou do anátema, e a ira do Senhor se acendeu contra os filhos de Israel”. Josué 7.1b.

 

 

A Síndrome de Acã continua  ameaçando e atingindo a  estabilidade  familiar e, conseqüentemente, ferindo  princípios sagrados que potencializam a Igreja e  que possibilitam  uma ação criativa e renovadora do Espírito Santo nas comunidades de fé.

 

Ela é corroborada por uma ordem universal que atua oculta e sorrateiramente  com a  finalidade de  levar o homem a substituir o eterno pelo efêmero. Ela também remonta a antiguidade e ataca principalmente os pais de família, em cujo contexto Deus se torna coisa do passado e totalmente inadequado à modernidade, não valendo a pena se cogitar obediência a Ele.

 

Esse  é  um  mal  que, há  cerca  de  3400  anos, alcançou  a  mente  e  o  coração de Acã. Este não hesitou em lançar mão dos espólios de guerra, preferindo desobedecer a Deus que havia ordenado não fazer uso do anátema, ou seja, de bens e objetos considerados amaldiçoados. E o mais interessante é que Acã se apossou daqueles despojos enquanto Deus, num ato de fidelidade, concedia aos israelitas uma grande vitória sobre os cananeus, o que possibilitou a destruição de Jericó, uma das mais antigas cidades do mundo e símbolo de poder e força militar invejáveis.

 

É incrível constatar que a Síndrome de Acã se constitui num vírus dos mais potentes do mundo moderno. Ela é representada hoje pela busca exagerada do ter, pelo prazer ao ilícito, pelo individualismo, pela infidelidade nos relacionamentos, pela inversão de valores e pela insensibilidade às leis espirituais, onde obediência a Deus remete ao retrógrado, às tradições culturais e até ao fanatismo religioso. E essa é uma síndrome que, infelizmente, encontra fortes raízes na família, onde geralmente ocorrem os grandes estragos.

 

É nesse aspecto que o caso Acã encerra lições atualíssimas. Ele nos mostra que nossas atitudes tendem a refletir o tipo de relacionamento  que temos  com Deus, com implicações na saúde espiritual de nossa família e de nossa igreja. É interessante frisar que a desobediência de Acã custou a ele a própria vida e a vida de sua esposa e de seus filhos, além da perda de tudo que fora possuído ilicitamente, indicando que ninguém colhe bons frutos quando desobedece ao Senhor do Universo.

 

Um  outro  detalhe  a  considerar  é  que o pecado de Acã teve reflexo também na comunidade de fé que ele fazia parte, razão pela qual “a ira do Senhor se acendeu contra os filhos de Israel”. Ou seja, um membro em desarmonia  deixa  seqüelas  em todo  o  Corpo – a Igreja  de  Cristo -, tanto  que  os  israelitas perderam a segunda batalha na conquista da Terra Prometida, sendo literalmente massacrados e desmoralizados pelos amorreus, na cidade de Ai. Tudo por causa de Acã.

 

Desobedecer a Deus,  portanto,  não  foi  e  nunca  será  uma  decisão  inteligente, vez  que  as  conseqüências  são  imprevisíveis. Vale a pena,  então,  fazermos  uma auto-análise e avaliarmos qual o nosso grau de comprometimento com a Síndrome de Acã. É  bom  lembrar  que  Deus  está sempre  disposto a um novo recomeço. Ele mesmo nos diz em II Crônicas 7.14 que “se o meu povo que se chama pelo meu nome se humilhar, orar e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”.

 

Enfim,  há  cura  para  a  Síndrome  de  Acã. Nunca é tarde para reescrevermos uma nova história com a própria vida que orgulhe a nossa família, o nosso próximo e a nossa geração vindoura, bem como que dignifique o Deus Criador.

 

(Texto publicado no Jornal Clarim, da IBT, em abril/2007).



Escrito por Alpeno Rocha às 20h55
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POLÍTICA É POLUIÇÃO

Alpeno Rocha

 

Brasileiro sabe definir claramente o que é política. Pergunte a qualquer um! Não se preocupe com a cultura, raça ou posição social. Ele vai estufar o peito e dizer orgulhoso: “política é poluição!”. Que poluição? Alguém pergunta. Não importa, qualquer uma! Respondo.

 

A política está chegando. Todos notam. Ela está nas praças, nos bancos das praças, nas ruas, nos postes das ruas, nos muros, nas paredes, no chão... Ela está até nas pessoas. São pichações, panfletos, cartazes, muitas pichações, muitos panfletos, muitos cartazes, pilhas e mais pilhas, umas sobre as outras. Muito barulho.

 

A gente não sabe como e quando tudo é feito. Num dia, tudo está limpo. No outro, uma sujeira só. Sujeira, não! Poluição. Poluição, não! Política. E a política continua assim: ora parece limpa, ora está suja mesmo. É poluição de verdade! Ela passa por nossos tímpanos, não sei quantos decibéis. A gente acaba ficando meio-surda, sem mais ouvidos para a política.

 

Otto Lara Rezende disse que “o diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar”.  Política não desperta mais olhares. É muita poluição! Tanto que o poder é definido por quem mais polui. Quem tem o poder, distribui mais panfletos, cartazes, expõe out-door, picha mais muros, dispõe de carros-de-som superpotentes, tudo colorido. Quem não tem, já era! Só a ciência política explica.

 

A política já chegou na UESC. Disputa pela reitoria. Por enquanto, muita poluição. Prá variar! Propostas? Projetos? Planos? Qual nada! Talvez só na cabeça dos candidatos. Os alunos não precisam conhecê-los. Afinal, para quê? Política é poluição. É santinhos e mais santinhos. É barulho, muito barulho.

 

A medir pela poluição da sexta, dia 07, na entrada da Universidade, já escolhi quatro candidatos, pelo menos. Ficou difícil saber quem era o menos competente. Ou quem tinha menos poder. Quatro carros-de-som! Volume ensurdecedor. Pensei estar enfrentando uma turbulência, no meu próprio carro! Veio à mente: “esses candidatos são fortes, merecem o meu voto!”.

 

Até parece que a cidadania ainda é um direito burguês.  Enquanto isso, eles fingem que fazem política e a gente finge que exerce os direitos de cidadão. Fingem que são adultos e a gente finge que é criança. Sendo criança, a gente vê o que os adultos não vêem. Assim, a gente acaba se acostumando com a política sob a ótica da poluição.

 

 (08/11/2003).



Escrito por Alpeno Rocha às 20h53
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AS DROGAS DA MORTE SÚBITA

Alpeno Rocha

Quando se fala em drogas, o que vem à nossa mente é a maconha, a cocaína & cia. Ninguém pensa também nas drogas que se compra livremente em qualquer farmácia da esquina. Um medicamento à base de hidroclorotiazida  com o cloridrato de amilorida, por exemplo, traz no pacote uma série de efeitos colaterais  como cefaléia, taquicardia, erupções cutâneas, tonturas, nervosismo, confusão mental, dentre outros. Mas não se apavorem! Tudo isso é legalizado e ainda pode vir com uma receita médica.

Remédios alopáticos? Uso-os com cautela porque não pretendo morrer cedo! Não precisa ser farmacologista para entender dessas coisas e ser tão receoso. Vejam o caso dos produtos para emagrecimento que contêm a tiratricol!? Uma substância que pode provocar efeitos adversos como palpitações, enfarto agudo do miocárdio, derrame cerebral, insônia, depressão, vômitos, diarréia severa, reações alérgicas e, acreditem, até a morte súbita. E o colírio com metilcelulose que, sem registro no Ministério da Saúde, já provocou cegueira em mais de cinco pacientes? E o Celobar que, por estar contaminado, já matou mais de duas dezenas de pessoas? Basta!

Não vejo ninguém preocupado com essas questões. Usando a famosa expressão de FHC, o que há é muito nhém-nhém-nhém! Afinal, a indústria farmacêutica é uma potência mundial e sobrevive da doença do povo. Então o que os governos estão interessados é em saberem qual o tamanho da fatia do bolo que vão ganhar no negócio. Essa foi a razão da disputa política entre o Brasil e os USA em torno do acesso a patentes de remédios. Aliás, de dólares os USA entendem muito mais e não querem perder nenhum centavo, chegando ao extremo de se oporem à possibilidade de proibição da propaganda de cigarro. Os doentes que fiquem mais doentes!

Em resumo, ninguém mexe com as mega-potências. O assunto é tão sério que, só no mês de junho, os medicamentos chegaram ao comércio brasileiro custando até 13,87% mais do que em maio. E sabem a solução fantástica que o Ministro da Saúde, Humberto Campos, achou para baixar os preços? Sugeriu negociar com os governos estaduais para garantir a retirada ou diminuição do ICMS nos remédios. Ou seja, é melhor perder alguns trocados do que pressionar as multinacionais para reduzirem os preços ou para acelerarem o processo de fabricação dos genéricos que têm um custo reduzido para o consumidor em até 70%. Não precisa dizer porque está tão difícil aparecer mais indústrias interessadas em fabricar os genéricos!

Ficamos, enquanto isso, a contemplar o incrível. Quanto mais cresce o mercado farmacêutico, mais aumenta o número de pacientes nos consultórios médicos.  Tem alguma coisa errada, não acham? Há profissionais que trabalham em média quinze horas por dia. De psicólogos a ortopedistas, as consultas são marcadas para até três meses depois. Por que será? Para mim é um contra-senso. Não que os profissionais sejam culpados. Eles são vítimas do processo, também. A efetiva via para a mudança do hábito da prescrição médica está nos representantes pessoais das indústrias farmacêuticas. Como o mercado é altamente competitivo, ganham os que detêm as melhores estratégias mercadológicas e, é claro, alto poder de persuasão.  Com toda essa roupagem, os medicamentos são vendidos como o elixir que tem poder sobre a vida. E tome-lhe Celobar!...   E     a  d  e  u  s     à     v  i  d  a!

 (15/06/2003).



Escrito por Alpeno Rocha às 20h50
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A BÍBLIA CONTINUA SENDO O INSTRUMENTO DE DEUS PARA ACULTURAR A ALMA

Alpeno Rocha

A existência física da Bíblia é algo que nos impressiona. Ela contém 66 livros escritos por cerca de 40 autores, num período de 1600 anos. Esses autores, utilizando-se das línguas hebraica e grega, viveram em lugares distantes e, muitos deles, por uma questão lógica, não chegaram a se conhecer. O interessante é que, apesar dessas circunstâncias, tais livros formam um compêndio em cujos assuntos, além de apresentarem perfeita correlação, revelam a mente de um Ser altamente inteligente, que é a do próprio Deus.

Há de considerar, por isso, que a Bíblia não é um livro puramente humano. Canonicamente, ela mesma se intitula como Escrituras ou Sagradas Escrituras, Livro do Senhor, a Palavra de Deus e Oráculos de Deus. Ela é, na verdade, a revelação de Deus à humanidade. No Velho Testamento, ela se incumbiu de preparar o mundo para o advento de Cristo. No Novo Testamento, ela trata da manifestação de Cristo ao mundo, como Redentor.

Ao contrário do que muitos pensam, estudar a Bíblia é algo prazeroso. Mais gratificante ainda é ser professor de uma Escola Bíblica pela oportunidade de estar em contato direto com um livro cujas riquezas são incalculáveis. Na Igreja Batista Teosópolis, a Escola Bíblica Dinâmica possui uma diretoria e o corpo docente é motivado a fazer uso de técnicas pedagógicas das mais modernas. Entretanto, o ensino religioso deve-se revestir de objetivos ainda mais elevados.

Um professor de EBD deve ter a visão de que Jesus Cristo se constitui o centro de todo ensino religioso. Inegavelmente, Ele é o Mestre!  Vimos isso inclusive quando Ele trabalhou a dúvida de Tomé, ao dizer: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (João 14.6a). Assim, ensino religioso não é ensino de religião. Enquanto este se preocupa com os dogmas humanos, aquele com os princípios eternos e os planos estratégicos de Deus para o homem.

Sem dúvidas, para quem estuda a Bíblia, conhecer a mente, a vida e a personalidade de Jesus é um desafio dos mais relevantes. Seu amor incondicional, Sua vida de retidão, Sua autoridade, Sua morte sacrificial, Sua ressurreição, Sua aparição aos discípulos após a morte, Sua elevação às alturas, Sua condição de Senhor e Salvador... Tudo isso nos leva a repensar a nossa vida, as nossas atitudes, os nossos conceitos, a nossa fé.

A Bíblia, portanto, continua sendo o instrumento de Deus para aculturar a alma. Ela abre os nossos olhos espirituais, também. Isso não significa se tornar um estereótipo religioso, quadrado, radical, chato, fanático. Pelo contrário, ela desvenda a cortina de incertezas e barreiras da psique humana. Valorizando-a em sua abordagem, Jesus disse: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8.32).

Ensino religioso não é lavagem cerebral. Ele deve levar em conta de que, no seu livre arbítrio, o homem se utiliza de faculdades mentais para tomar suas próprias decisões. É certo que, quando mergulhamos nas profundezas da natureza de Deus, através dos textos sagrados, somos tocados por um amor tão grande que nos motiva a seguir os passos de Cristo e a servi-lo fielmente. Com esses fundamentos, a educação religiosa acaba desenvolvendo a espiritualidade e o caráter cristão nos alunos, tornando-os cidadãos conscientes do seu papel num mundo que “jaz no maligno” (I Jo 5.19b).

Nesta oportunidade, a despeito do que você pensa acerca do assunto, quero convida-lo a fazer uma viagem pelas páginas da Bíblia. Você descobrirá, com certeza, quais os requisitos necessários para garantir uma vida eterna com Deus, sem charlatanismo, sem pressões, sem superstições. Tenha uma boa leitura!

(Texto publicado na Revista Vitória).



Escrito por Alpeno Rocha às 20h49
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OS HOMENS-MÁQUINAS QUE NÃO SOMOS

Alpeno Rocha

 

Muita coisa mudou nos últimos quarenta anos! Em casa, usávamos o fole que assoprava as brasas do ferro de passar, como utilidade doméstica das mais modernas. Os sapatos, quando furados, iam direto para o sapateiro que caprichava num supersolado de couro bovino. E o banho de cuia, o pote de barro, o fogão à lenha!?

 

“TV? Isso é coisa de gente rica”, dizia meu pai. O negócio mesmo era “prosar”, oportunidade que os vizinhos tinham de sentar-se à porta da casa para um bom bate-papo. Época em que os relacionamentos eram mais firmes e duradouros. “Leva esse pedaço de bolo pra dona Maria, meu filho”, dizia minha mãe.

 

Evoluímos tecnologicamente. Cercamo-nos de máquinas por todos os lados. Em nossas casas, uma parafernália de eletrodomésticos. Muita coisa supérflua! Batedeira de bolo, pra quê? Compra-se bolo por até três reais! Máquina de lavar pratos é outra futilidade. Muitas famílias estão dando preferência a marmitas prontas. É uma tendência à praticidade, além de reduzir custos e pratos na pia. Até hoje não entendo porque tenho em casa um multiprocessador com o qual só fiz suco de frutas. Faz muito tempo que compro suco de frutas em saquinhos. E o tal aparelho continua lá, em desuso.

 

Fazemos parte de uma geração que passou a viver em função da máquina. Nem temos um plano “B” para o imprevisto. Se o problema é com a lavadora de roupas, não há problema. As roupas que aguardem a máquina retornar do conserto. Isso se tiver dinheiro no caixa automático! Caso não tenha, consulta-se a agenda eletrônica, o palm-top. Com isso, nosso tempo acaba sendo programado segundo as máquinas. Se, por exemplo, o carro apresentar um defeito, boa parte de nossos compromissos diários estarão  comprometidos.

 

“Radical! Antiquado”. Ouço o coro dos leitores. Mas não é isso. Já pensaram se, no Brasil, todas as máquinas fizessem greve? Seria um desastre! No mínimo, um colapso nos sistemas de energia, transportes e telecomunicações. Os bancos, os supermercados, os correios, os hospitais (até os hospitais!) fechariam as portas. Seria um atestado à nossa vulnerabilidade e impotência. E ponto para elas!

 

As máquinas nos deixam, por outro lado, com a falsa sensação de que somos infalíveis. Elas nos ajudam no mundo dos negócios, no controle da saúde, das finanças, etc. Só que a evolução tecnológica, sorrateiramente, vai fazendo o homem entrar num processo de robotização. Imperceptivelmente, tornamo-nos também auto-suficientes, individualistas. Na verdade, esquisitos. E a dúvida. Somos humanos? Ou máquinas? Ou homens-máquinas?

 

Tudo isso é refletido nos relacionamentos que se tornam superficiais, impessoais. Muitos preferem ficar horas e horas numa sala de bate-papo da internet a dedicar alguns minutos para conversar com alguém, inclusive da própria família. Não penso em voltar a usar o ferro à brasa nem o fogão à lenha. Saudosismo a la Itamar, não! É salutar, entretanto, que os bons hábitos não fiquem apenas na memória, mas que ressuscitem. Enxergar-se como gente, perceber e valorizar o outro são atitudes que nos ajudam a entender porque as pessoas, num passado recente, privilegiavam as reuniões informais, sentados em bancos de madeira em frente suas casas. São situações que podem marcar um novo tempo em que as máquinas estejam, de fato, a serviço dos homens. E não o contrário.

 

(Texto publicado no Jornal AGORA, de 03/06/2003).



Escrito por Alpeno Rocha às 20h47
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